Uma visão profunda dos Asanas
domingo, 1 de junho de 2008Segundo a prof. Vera Lúcia de Oliveira em seu livro: “Asana - símbolos e Mitos”, a riqueza simbólica das lendas do hinduísmo que deram origem ao yoga, tem várias versões para o aparecimento dos asanas ou posturas psicofísicas. Ela explica que a prática do asana seria o arado que prepara o terreno para a semente ser plantada. Conta a lenda que, Parvati, (filha das montanhas) ao se casar com Shiva, deus da transformação, o mestre do yoga, pediu-lhe que ensinasse o caminho para tornar-se também uma deusa. Shiva então levou a esposa à beira de um rio e lhe ensinou o caminho do yoga ou a prática dos asanas de yoga, para que seu corpo se purificasse a ponto de tornar-se divino.
Enquanto ela repetia as posturas adormeceu e sem perceber um peixe Matsya, observava e aprendia.
Com o passar do tempo, por esforço e disciplina Parvati tornou-se uma deusa e Matsya transformou-se em um ser humano e sábio.
Essa lenda, conclui a prof. Vera, simboliza a evolução do praticante através da purificação realizada pelo trabalho corporal em busca do que é chamado “corpo divino”, a percepção de nossa real natureza, nossa essência divina.
Matsya pode ser traduzido por peixe ou pescador, e Matsyendranath, a quem é relacionada a lenda foi o criador da Escola do Hatha Yoga (século IX ou XII), estabelecendo assim um paralelo mitológico.
A prof. Vera no livro citado esclarece que com isso não só se caracteriza o processo de transformação do corpo, mas também a linha direta de ensinamento através do próprio Deus, como é uma característica da Filosofia Hindu.
Muitos outros símbolos aparecem nesta lenda, porém o mais objetivo é o ensinamento da transcendência através do próprio corpo físico, no que se relaciona com o asana.
Postura Matsyendrasana
Uma torção sentada - alguns textos denominam essa variação de ardha Matsyendrasana -
Sente-se com as pernas esticadas, a perna esquerda ultrapassa a direita, apoiando o pé no solo, dobre a perna direita lateralmente de forma que o calcanhar fique junto ao quadril do lado esquerdo. Passe o braço direito pela frente da perna esquerda de forma que o joelho fique próximo a axila e a mão direita vai tocar no peito do pé esquerdo. Caso não seja possível no momento, feche o polegar direito dentro da mão. O braço esquerdo vai para trás, ao girar o tronco para esquerda e a mão toca o solo o mais próximo possível das costas, na linha da coluna, que deve ficar esticada. A cabeça gira para o lado do ombro esquerdo. Depois, repita o movimento para o outro lado.
Simbolismo
As torções, em geral, representam muitas voltas em torno do eixo, as espirais, as circulares para cima, o caminho da espiritualidade. Este movimento ascendente, em voltas, representa a força do sábio, que nunca se afasta do centro (ou objetivo).
Postura - a posição de base triangular firme, que estabelece o início do processo de torção da coluna, com o alongamento do eixo, até chegar ao giro da cabeça. Remove os obstáculos à flexibilidade corporal e, se praticada assiduamente, permite total mobilidade.
A dificuldade desta postura está no endurecimento do não ceder, do orgulho e das emoções.
Sua realização dá liberdade a vários ângulos de personalidade.
Mitologicamente Sri Matsyendra foi um sábio que ensinou as técnicas de Yoga, ligado às linhas do
Hatha Yoga Pradipika. É, por vezes, confundido com Sri Matsya (encarnação de Vishnu). Foi quem observou Shiva ensinando os asanas à Parvati, tendo assim evoluído para ser humano, segundo a lenda.
Reflexão na Postura
“A espiral para cima representa as leis naturais dando expansão às limitações, aos hábitos e
conceitos. É representada como a Evolução Espiritual em várias linhas filosóficas”.
Fonte: livro: Asana Símbolos e Mitos
Prof. Vera Lúcia Oliveira.
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