Os Presentes e Seus Valores

Quando alguém faz aniversário, na época de Natal, na Páscoa e em outras datas festivas faz parte do costume da nossa sociedade dar um presente, presentear alguém pela ocasião. Parei para pensar nesse gesto de manifestação de carinho, amor, de doação de algo para alguém. Escolher algo para dar é uma tarefa pessoal que mostra quem realmente somos. Vou explicar melhor. Eu faço parte de um conjunto de valores que fui adquirindo e que também fazem parte de minha natureza, ou seja, que são inatos, nasceram comigo. E esse somatório de idéias, histórias de vida, gostos, aversões, cultura, educação e sentimentos em constante transforma-ção ajudam a resolver o que presentear a alguém.
E cada vez que eu dou algo a alguém estabelece-se uma relação de troca, mesmo que aparentemente ou formalmente ela não fique clara e não seja essa a intenção. Por exemplo, se eu dou uma flor a uma pessoa ou um beijo, a satisfação pelo ato vem imediatamente, mesmo que não receba nada material, concreto por isso. E esse relacionamento se realiza de forma natural, espontânea. Mas, com isso não quer dizer que toda troca seja prazerosa, às vezes, não. Se alguém faz a doação por obrigação, por automatização, por educação, ou outro motivo que não vem de dentro, mas que está na periferia, fora de você, a resposta que chega torna tão superficial quanto o gesto inicial e ninguém gosta da sensação de vazio, de faltar algo para completar, e ironicamente sentimos carente ao fazer essa falsa doação. Outro aspecto que percebo na nossa sociedade é o peso que se dá ao valor material do presente. Isso cria uma mentalidade que o grau de amor que sentimos por alguém está diretamente relacionado a quanto mais caro for o objeto de nossa doação. Será?! Não preciso comprar algo dispendioso para demonstrar nosso afeto, não caia nessa armadilha, amigo. Não substitua sua melhor forma de amar, contato direto com o próximo, um abraço de coração, um beijo com ternura, uma ajuda no momento que se faz necessário, por objetos, eles têm sua utilidade, mas não são essenciais. Se for doar 1kg de alimento não perecível entregue junto com esse sua melhor energia, essa será a grande diferença entre os vários sacos de arroz, feijão, os pacotes de macarrão, etc. Conheço uma família com uma condição financeira privilegiada que depois que começou a praticar yoga e meditar mudou os tipos de presentes que costumava dar, em vez de artigos de grifes e importados, passou a presentear as pessoas com objetos feitos por elas mesmas. Houve uma mudança de valores e uma nova forma de perceber as coisas. Essa família ao invés de economizar sentimentos, tempo e energia em prol do próximo, deixou que a generosidade que habita em todos nós se expandisse cada vez mais.

Eles passaram a oferecer um pouco mais deles e sentem-se mais felizes por isso. Mas, não é fácil não se deixar influenciar e seduzir pelos apelos consumistas que está em toda a parte. Conheci uma brasileira que vivia sozinha em Orlando, E.U.A, longe da família, amigos, e tinha dificuldade de criar novas amizades. Tinha comprado uma casa grande com 3 quartos espaçosos. Fiquei curiosa em saber por que trancava a metade da casa. Ela disse que não usava aquela parte e não queria sujar a área…
Pensei comigo mesma, para quê ter um grande espaço, e já que fez essa escolha, por que não o usa?! Sujar e limpar faz parte do uso, e mesmo sem uso as coisas ficam sujas, estragam e envelhecem, então porque não usá-las, já que a temos?! A grama do jardim dela era artificial para também não dar trabalho… Não concordo, precisamos sentir a natureza, ver a planta crescer, regá-la, sentir a sola do pé na terra, o calor do sol, etc., será que é suficiente apreciá-la de fora como um cartão postal?! Essa brasileira passava a maioria do tempo trabalhando em uma máquina de costura industrial, para confeccionar roupas para esporte e no momento de lazer assistia filmes em vídeo, geralmente comédias românticas. Perguntei a ela o que fazia quando ficava triste e solitária. Seus olhos tiveram algum brilho nesse momento. Ela disse que ia para o shopping e comprava uma porção de coisas que muitas vezes não iria fazer uso delas…

Agradeço a Deus a oportunidade de conhecê-la, ela me ajudou a perceber o que é importante para mim e o que é supérfluo. Acho que uma boa saída para não se deixar poluir pela onda materialista que invade todos os cantos do planeta seria praticar, exercitar essa troca afetiva diária com sua melhor intenção até que aos poucos passe a ser um modo natural de viver. E sei por experiência própria que nada do mundo externo pode substituir o calor interno que flui e aquece a todos indiscriminadamente.

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One Response to Os Presentes e Seus Valores

  1. alina says:

    Gostei mt do artigo.Penso sempre que o melhor presente,nem sempre é preciso sair para comprar.Está dentro de nós,como o carinho,umforte abraço,um beijo e até mesmo algo feito por nossas mãos!
    A felicidade está mt próxima e nem sempre percebemos.

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