Uma Vida Digna

Recentemente, conversando com uma pessoa amiga sobre a importância de uma vida digna, pensamos sobre o propósito do médico, da medicina em geral. Começamos a refletir sobre até onde o trabalho dele em salvar uma vida pode se restringir em manter um coração e uma respiração funcionando, mesmo que seja com a impossibilidade desse paciente de recuperação. Será que vale a pena o sacrifício?… Tirar a liberdade de alguém de fazer suas próprias escolhas, limitar suas funções básicas, como a capacidade de ir e vir, de expressar pensamentos, sentimentos, de comer o que gosta, não apenas porque faz bem, de sentir prazer, de tomar as suas decisões, sejam elas adequadas ou não para os outros. Será que alguém consegue ser feliz perdendo o sentido de utilidade, tornar dependente em todos os sentidos, carente de afeto, do toque, do abraço, da brisa suave no rosto, o calor do sol das manhãs, do cheiro da chuva, da maresia, ou outra forma de estímulo à esperança, conforto nos momentos de dor, da integração com a natureza, com o próximo e com a força do Universo. Acredito que viver com qualidade é ter uma vida digna e não devemos abrir mão dela.

A ciência coloca no mercado medicamentos cada vez mais aperfeiçoados para prolongar a existência, mas embora eles tragam mais eficiência no combate a determinado mal, existe também o outro lado, aquelas contra-indicações em letras bem pequenas que estão nas bulas dos remédios, mas a maioria não lê. Acho bom a gente ter ciência dos riscos e analisar as perdas e os ganhos com isso.

Nosso corpo cada vez mais pode ficar contaminado, dependente dessa ajuda química e talvez perca sua inteligência intrínseca, sua capacidade holística de reagir, de combater, de colocar suas defesas para funcionar. Pode chegar um momento que fica difícil fazer o caminho de volta, ao que era antes.
Com a dependência cresce o medo e esse se estabelece, diminuindo cada vez mais a capacidade de se autoperceber, autogerenciar. A sabedoria infinita não é ouvida e ela por sua vez se cansa de brigar pelo reestabelecimento do equilíbrio interno.

E através do desequilíbrio, o sistema imunológico perde terreno para as doenças que se renovam de tempos em tempos, dependendo em grande parte do estado psicofísico, do ambiente em que se vive, o critério alimentar entre outros fatores. Tudo isso junto pode nos tirar do eixo, do centro de nós mesmos e impedir de perceber quem somos, nossa real natureza, nossa essência divina…

Na minha opinião refletir sobre o assunto é um direito nosso, mas fazer julgamentos não, porque cada caso é um caso específico. Quando busco respostas para minhas indagações não viso condenar ou criticar o trabalho da medicina científica tradicional, nem entrar em conflito com a linha de conduta do médico ou de sua classe de profissionais. Apenas crio coragem para olhar de outro ângulo uma mesma situação. O medo de mudar padrões, estilos de vida, nos prende, nos paralisa e evita o questionamento, o pensar mais profundo do que realmente nos faz mal ou bem.

A prática da meditação é um instrumento poderoso para sentirmos seguros e tranqüilos em relação às incertezas que fazem parte da nossa caminhada. Podemos usar a ciência a nosso favor, como um recurso importante para o nosso bem estar, sem descartar nossa força interna, as virtudes de um “guerreiro de luz”. Mahatma Gandhi lutou pela independência da Índia não pela forma convencional, aplicou a não-resistência, a não-violência (ahimsa) e a verdade (satya). Dalai Lama resiste pela liberdade do Tibete até hoje, usando como arma a compaixão, no empenho da construção de uma humanidade tolerante e compassiva. Como eles, existem muitos anônimos em toda a parte que buscam a atitude dos guerreiros, resistem às invasões externas que chegam por todos os lados. Elas desestabilizam qualquer organismo, desorganiza a criação.

Penso que quanto mais aprendemos a exercitar o olhar para dentro de nós, lidar com nossas questões íntimas, ganhamos espaço, ampliamos nosso ângulo de visão e podemos escolher melhor, com mais consciência, passamos a não economizar sonhos e desejos e temos mais chance de vivenciar a felicidade plena.

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3 Responses to Uma Vida Digna

  1. vai caca says:

    eu nao gostei e acho que falta mais explicaçoes

  2. denize bernasconi says:

    valeu meu filho precisava de um comentario sobre vida digna para a escola encontramos este bom….

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